A Revista Transmutare (UTFPR/Curitiba) torna pública a chamada para submissão de artigos ao dossiê temático “Inovação Educacional: Práticas, Políticas e Caminhos Progressistas”, que integrará o ciclo editorial de 2026.
O dossiê problematiza a inovação educacional para além de abordagens instrumentais, defendendo uma perspectiva progressista, crítica e emancipatória. Busca reunir estudos que articulem práticas, políticas e teorias comprometidas com transformação social e enfrentamento de desigualdades.
Prazo para submissão: 31 de maio de 2026
Organizadores:
Proposta do Dossiê Temático: Na história da educação brasileira, diferentes perspectivas de inovação educacional têm emergido como elementos estruturantes do discurso pedagógico e do fazer educacional. Huberman (1973) tencionava que a ideia que o conceito de inovação se relaciona a tornar habitual o que não o era. Segundo Garcia e Farias (2005), associar Inovação à mudança pode ser imprudente, uma vez que, embora todo projeto de inovação carregue em si o cerne da mudança, esta pode estar ligada ao resgate de práticas já superadas. O desenvolvimento de projetos inovadores na escola deve perpassar a simples execução, é preciso envolver todas as estruturas da escola e superar práticas que apenas classificam, criando um ambiente mais colaborativo e criativo para todos (Farias, 2006; Pacheco, 2019). Para Gomes (2023), para que um projeto inovador provoque mudanças é preciso que este faça sentido para os sujeitos envolvidos, um bom planejamento e um ambiente favorável. Conforme analisa Tavares (2019), a inovação passa a ocupar um lugar de ancoragem nos debates educacionais, sendo frequentemente associada, no âmbito das pesquisas educação, a processos de mudança (Hofman et al., 2017; Battestin; Nogaro, 2016) e/ou à ruptura com o status quo das práticas estabelecidas (Demo, 2010; Messina, 2001). Para além da polissemia do conceito, observa-se que, em grande parte dos estudos da área, a inovação é mobilizada como pressuposto de positividade, operando como algo intrinsecamente desejável e benéfico ao campo educacional (Tavares, 2019). A racionalidade inovação-positividade configura-se como base para que práticas e políticas educacionais, tanto governamentais quanto oriundas da iniciativa privada, subsidiem os seus discursos escolares (Kassar; Oliveira, 2024). Nesse sentido, a inovação tende a funcionar como um invólucro discursivo, capaz de ocultar projetos e racionalidades que atravessam o campo educacional, tais como proposições alinhadas ao neoliberalismo (Dardot; Laval, 2017), usos acríticos da tecnologia (Maruyama, 2013), didáticas neotecnicistas (Gonzalez, 2024) e a permanência de paradigmas conservadores de organização do trabalho pedagógico (Simas; Behrens, 2019). Diante desse cenário, a perspectiva deste dossiê considera que a inovação educacional precisa se respaldar em uma abordagem progressista, considerando que quaisquer estratégias político-pedagógicas estejam comprometidas com a promoção de processos críticos de leitura da realidade e com a construção de mecanismos efetivos de transformação social, sejam eles fundamentados em perspectivas libertadoras, libertárias, crítico-social dos conteúdos (Libâneo, 1983) ou em outras possibilidades de caráter emancipatório.
Espera-se textos que apresentem análises, reflexões ou propostas de inovação educacional orientadas por leituras progressistas, contemplando, entre outras possibilidades, os seguintes eixos: 1) Análise e/ou uso de metodologias ativas a partir de uma perspectiva progressista de educação; 2) Discussões sobre a inteligência artificial nas práticas educacionais, a partir de mecanismos éticos, críticos e emancipatórios; 3) Debates acerca da tecnologia na educação que problematizem pressupostos de neutralidade e o determinismo tecnológico; 4) Práticas formativas (ensino, pesquisa e/ou extensão) que evidenciam processos de inovação no ensino; 5) Possibilidades formativas de superação das crises educacionais advindas da pós-modernidade (fake news, mudanças climáticas, questões políticas etc.); 6) Inovação para o enfrentamento educacional de preconceitos (racial, xenofóbico, gênero, sexualidade, deficiência etc.), em prol de processos democráticos de inclusão.
Diretrizes para submissão
Os manuscritos devem atender as diretrizes da Revista Transmutare. Consulte as abas “Submissões Online” e “Diretrizes para Autores” para mais informações. As submissões devem ser realizadas pelo sistema da revista:
A Revista Transmutare convida pesquisadores(as) e docentes a contribuírem com este debate, fortalecendo a produção acadêmica comprometida com práticas educacionais críticas, inclusivas e socialmente referenciadas.
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