Dossiê Temático - “Inovação Educacional: Práticas, Políticas e Caminhos Progressistas”

A Revista Transmutare (UTFPR/Curitiba) torna pública a chamada para submissão de artigos ao dossiê temático “Inovação Educacional: Práticas, Políticas e Caminhos Progressistas”, que integrará o ciclo editorial de 2026.

 

O dossiê problematiza a inovação educacional para além de abordagens instrumentais, defendendo uma perspectiva progressista, crítica e emancipatória. Busca reunir estudos que articulem práticas, políticas e teorias comprometidas com transformação social e enfrentamento de desigualdades.

 

Prazo para submissão: 31 de maio de 2026
Previsão de publicação: Julho de 2026

 

Organizadores:

  • Francisco Halyson Ferreira Gomes – Universidade Estadual do Ceará (UECE)
  • Gabriel da Silva Lima – Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR)
  • João Carlos Pereira de Moraes – Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR)

 

Proposta do Dossiê Temático:

Na história da educação brasileira, diferentes perspectivas de inovação educacional têm emergido como elementos estruturantes do discurso pedagógico e do fazer educacional. Huberman (1973) tencionava que a ideia que o conceito de inovação se relaciona a tornar habitual o que não o era. Segundo Garcia e Farias (2005), associar Inovação à mudança pode ser imprudente, uma vez que, embora todo projeto de inovação carregue em si o cerne da mudança, esta pode estar ligada ao resgate de práticas já superadas. O desenvolvimento de projetos inovadores na escola deve perpassar a simples execução, é preciso envolver todas as estruturas da escola e superar práticas que apenas classificam, criando um ambiente mais colaborativo e criativo para todos (Farias, 2006; Pacheco, 2019). Para Gomes (2023), para que um projeto inovador provoque mudanças é preciso que este faça sentido para os sujeitos envolvidos, um bom planejamento e um ambiente favorável.

Conforme analisa Tavares (2019), a inovação passa a ocupar um lugar de ancoragem nos debates educacionais, sendo frequentemente associada, no âmbito das pesquisas educação, a processos de mudança (Hofman et al., 2017; Battestin; Nogaro, 2016) e/ou à ruptura com o status quo das práticas estabelecidas (Demo, 2010; Messina, 2001). Para além da polissemia do conceito, observa-se que, em grande parte dos estudos da área, a inovação é mobilizada como pressuposto de positividade, operando como algo intrinsecamente desejável e benéfico ao campo educacional (Tavares, 2019).

A racionalidade inovação-positividade configura-se como base para que práticas e políticas educacionais, tanto governamentais quanto oriundas da iniciativa privada, subsidiem os seus discursos escolares (Kassar; Oliveira, 2024). Nesse sentido, a inovação tende a funcionar como um invólucro discursivo, capaz de ocultar projetos e racionalidades que atravessam o campo educacional, tais como proposições alinhadas ao neoliberalismo (Dardot; Laval, 2017), usos acríticos da tecnologia (Maruyama, 2013), didáticas neotecnicistas (Gonzalez, 2024) e a permanência de paradigmas conservadores de organização do trabalho pedagógico (Simas; Behrens, 2019).

Diante desse cenário, a perspectiva deste dossiê considera que a inovação educacional precisa se respaldar em uma abordagem progressista, considerando que quaisquer estratégias político-pedagógicas estejam comprometidas com a promoção de processos críticos de leitura da realidade e com a construção de mecanismos efetivos de transformação social, sejam eles fundamentados em perspectivas libertadoras, libertárias, crítico-social dos conteúdos (Libâneo, 1983) ou em outras possibilidades de caráter emancipatório.

  • Escopo e eixos temáticos:

Espera-se textos que apresentem análises, reflexões ou propostas de inovação educacional orientadas por leituras progressistas, contemplando, entre outras possibilidades, os seguintes eixos:

1) Análise e/ou uso de metodologias ativas a partir de uma perspectiva progressista de educação;

2) Discussões sobre a inteligência artificial nas práticas educacionais, a partir de mecanismos éticos, críticos e emancipatórios;

3) Debates acerca da tecnologia na educação que problematizem pressupostos de neutralidade e o determinismo tecnológico;

4) Práticas formativas (ensino, pesquisa e/ou extensão) que evidenciam processos de inovação no ensino;

5) Possibilidades formativas de superação das crises educacionais advindas da pós-modernidade (fake news, mudanças climáticas, questões políticas etc.);

6) Inovação para o enfrentamento educacional de preconceitos (racial, xenofóbico, gênero, sexualidade, deficiência etc.), em prol de processos democráticos de inclusão.

 

Diretrizes para submissão

  • Serão aceitos artigos originais ou de revisão, inéditos (extensão entre 35.000 e 45.000 caracteres com espaços, incluindo resumos, notas e referências), de autoria individual ou coletiva, de pesquisadores(as) e professores(as) com temas vinculados à área da Educação e alinhados à proposta do dossiê.

Os manuscritos devem atender as diretrizes da Revista Transmutare. Consulte as abas “Submissões Online” e “Diretrizes para Autores” para mais informações.

As submissões devem ser realizadas pelo sistema da revista:
https://periodicos.utfpr.edu.br/rtr

 

A Revista Transmutare convida pesquisadores(as) e docentes a contribuírem com este debate, fortalecendo a produção acadêmica comprometida com práticas educacionais críticas, inclusivas e socialmente referenciadas.

 



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