Literatura e narrativa mítica: a árvore ficcional de Astrid Cabral e as primeiras árvores míticas da Amazônia
Resumo
Objetiva-se investigar as possíveis relações entre o conto Avispicis pulcherrima, da obra Alameda (1998), de autoria da amazonense Astrid Cabral, a narrativa “Ngewane, a árvore dos peixes”, presente na obra O livro das árvores (1997), de autoria coletiva Ticuna, e a narrativa Tomoromu, a árvore do mundo (2021), de Cristino Wapichana. Lança-se a hipótese de que é possível ler o conto da escritora como um palimpsesto, cujo texto invisível é o escrito de narrativas míticas provenientes dos mitos vivos, concebidos em tempos de fartura e paz, e que são expressos em livros de autoria indígena como mitos escritos. Para isso, são retomadas reflexões acerca do mito, de Mircea Eliade (2010, 2016), para compreensão da função do mito nas sociedades; bem como o trabalho sobre a experiência estética e epistemológica nas narrativas Ticuna, de Heloísa H. S. Correia e Valdenete F. Monteiro (2024). Por fim, os estudos de Ana Paula Cantarelli (2019), Maíssa P. R. Moreira (2023) e Monik Ramos (2024) sobre Alameda, serão chamados a contribuir para esta análise, sobretudo no que toca às questões que envolvem a relação entre o vegetal e o humano.
Palavras-chave
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PDFDOI: 10.3895/rl.v28n52.21360
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