Leitura, materialidade e regimes de interação no livro ‘Bibi’
Resumo
Este artigo analisa o livro Bibi, de Gustavo Piqueira (2019), como um texto sincrético que desestabiliza os modos habituais de leitura ao organizar-se em cadernos materializados por gêneros discursivos e linguagens distintas. Ancorada na semiótica discursiva de orientação francesa e, sobretudo, na semiótica das interações, de Eric Landowski, a análise descreve como o livro reconfigura o contrato de leitura e instaura um percurso no qual o sentido emerge da interação entre leitor e objeto-livro. Ao longo da obra, a alternância de gêneros, materialidades e estratégias enunciativas convoca o leitor a renegociar continuamente sua postura diante do texto. A investigação privilegia a descrição dos regimes de interação: programação, manipulação, ajustamento e acidente, mobilizados na experiência de leitura, evidenciando como Bibi conduz o leitor de zonas de previsibilidade a situações de risco e imprevisibilidade. Conclui-se que a leitura, em Bibi, configura-se como uma experiência estética e sensível, na qual o sentido não é apenas interpretado, mas construído em ato, no encontro entre leitor, texto e materialidade.
Palavras-chave
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PDFDOI: 10.3895/rl.v27n51.21358
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