Cargas de trabalho, saúde ocupacional e acesso ao cuidado em policiais militares

Rafael José Antunes, Diego Fabricio Schlosser, Luiz Alberto Pilatti

Resumo


OBJETIVO: Analisar como policiais militares de uma unidade especializada descrevem as cargas de trabalho, suas repercussões na saúde e o acesso a recursos institucionais de prevenção e de cuidado.

MÉTODOS: Estudo qualitativo com análise temática focalizada de 30 entrevistas semiestruturadas realizadas com policiais militares de uma unidade especializada do Sul do Brasil, em julho e agosto de 2025. A análise combinou codificação indutiva, interpretação orientada pela saúde do trabalhador, comparação entre participantes e companhias operacionais e exame de casos divergentes.

RESULTADOS: Foram identificados três temas interdependentes: cargas físicas e psíquicas percebidas como cumulativas; barreiras e seletividade no acesso ao cuidado; e proteção dependente de arranjos locais. Equipamentos, treinamento, operações noturnas, perda de sono e ocorrências críticas compunham o desgaste relatado. Flexibilidade para consultas, compensação de horas e atividade física no turno eram avaliadas positivamente, mas não configuravam uma linha de cuidado contínua.

CONCLUSÕES: As repercussões na saúde foram percebidas na interação entre as exigências operacionais e as condições organizacionais potencialmente modificáveis. Os achados sustentam ações integradas de ergonomia, gestão da fadiga e acesso psicológico confidencial e continuado, sem permitir inferências causais ou estimativas de prevalência.


Palavras-chave


Saúde ocupacional; polícia; carga de trabalho; saúde mental; acessibilidade aos serviços de saúde.

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DOI: 10.3895/rbqv.v18n0.22720

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