Análise da variabilidade química de solo via MEV/EDS em sítios arqueológicos

Lauren Waiss da Rosa, Neli Teresinha Galarce Machado, Jairo Henrique Rogge

Resumo


Este artigo analisa as dinâmicas de ocupação de um sítio arqueológico a partir da integração
entre dados geoquímicos e contextuais, tendo como estudo de caso o sítio RS-T-126,
localizado no município de Itapuca, no Vale do Taquari (RS). Inserido no contexto dos grupos
Jê Meridionais e datado entre 890 e 1410 d.C., o sítio foi investigado por meio de análises
químicas de solos e materiais cerâmicos utilizando espectroscopia de energia dispersiva
(EDS) acoplada ao microscópio eletrônico de varredura (MEV). Os resultados evidenciam
uma distribuição não aleatória de elementos químicos, permitindo identificar áreas
funcionalmente distintas, como zonas de combustão, preparo alimentar e descarte, além
de indicar uso intensivo e reiterado de determinados setores. A composição
predominantemente silicatada das cerâmicas, associada à variabilidade nas concentrações
de alumínio, ferro e titânio, sugere seleção diferenciada de matérias-primas e relativa
estabilidade nas práticas tecnológicas. Os dados apontam para uma ocupação prolongada
e multifásica, com organização espacial estruturada e variação funcional interna. A
integração entre geoquímica e contexto arqueológico demonstra o potencial das
abordagens arqueométricas para ampliar a resolução interpretativa dos sítios, contribuindo
para a revisão de modelos homogêneos de assentamento Jê Meridional e para o
entendimento das relações entre tecnologia, ambiente e práticas sociais no passado.


Palavras-chave


Sítios Arqueológicos; Análise Química; Indígenas

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DOI: 10.3895/rts.v22n70.20463

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