Racialização e racioletramento em experiências de crianças haitianas na educação básica brasileira
Resumo
Este artigo analisa como práticas de linguagem de crianças haitianas na educação básica brasileira são lidas a partir de hierarquias raciais socio-historicamente construídas. Com base em um estudo etnográfico realizado em uma escola municipal da região metropolitana de Curitiba/PR, objetiva-se compreender como os corpos negros são percebidos na comunidade escolar e quais as implicações dessas percepções para o desenvolvimento linguístico, os processos de aprendizagem e a integração social desse grupo de estudantes. A partir de uma crítica situada à colonialidade, argumenta-se que o silenciamento atribuído a essas crianças não decorre de um suposto déficit linguístico, mas de processos de racialização que deslegitimam seus repertórios culturais e linguísticos. Ancorada no campo da Linguística Aplicada, a análise crítica das leituras coloniais de corpos negros aponta para a necessária reconfiguração dos espaços educacionais, com vistas ao reconhecimento e à valorização das subjetividades haitianas no contexto educacional brasileiro.
Palavras-chave
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PDFDOI: 10.3895/rl.v28n52.22121
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