Colonialidade no ensino da leitura e da escrita de português como segunda língua para Surdos
Resumo
A leitura e a escrita ocupam lugar central no processo de escolarização, constituindo-se como práticas sociais por meio das quais os sujeitos participam de diferentes esferas da vida social. No caso dos sujeitos Surdos, esse processo assume especificidades decorrentes de sua condição bilíngue e das formas historicamente instituídas de ensino da língua portuguesa. Diante disso, questionamos: há traços de colonialidade ouvintista no processo de leitura e escrita da Língua Portuguesa como segunda língua (L2) para Surdos? Objetivamos analisar a possível presença desses traços a partir das narrativas de profissionais que atuam em distintos contextos educacionais. Trata-se de um recorte de uma pesquisa de doutorado, de abordagem qualitativa e natureza interpretativista. O aporte teórico dialoga com os estudos de Marcuschi (2008; 2010) acerca do letramento e das práticas sociais de linguagem, bem como com autores que discutem educação bilíngue de Surdos e colonialidade linguística. Os resultados indicam que, embora a leitura e a escrita ocupem posição central no currículo escolar, sua apropriação ocorre frequentemente de forma dissociada da produção de sentidos, reduzindo-se à reprodução gráfica da língua portuguesa e à validação escolar do conhecimento. As análises evidenciam a permanência de práticas que subordinam a Libras à escrita, reforçando processos de hierarquização linguística que dificultam a constituição de práticas discursivas significativas e materializam a colonialidade ouvintista no ensino de Língua Portuguesa como L2 para Surdos.
Palavras-chave: leitura e escrita; português como segunda língua; estudantes Surdos; letramento; colonialidade linguística.
Palavras-chave
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PDFDOI: 10.3895/rl.v28n52.22083
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