Do high-level wellness ao wellness digital: trajetória histórico-conceitual e implicações para a qualidade de vida
Resumo
OBJETIVO: Analisar a trajetória histórica do conceito de wellness, identificando seus principais deslocamentos semânticos, teóricos e institucionais, bem como suas implicações para o campo da qualidade de vida.
MÉTODOS: Realizou-se uma revisão histórico-conceitual crítica, baseada em textos fundadores, documentos institucionais e estudos representativos das etapas de formação, difusão e crítica do conceito. As fontes foram interpretadas segundo nove categorias: definição, concepção de saúde, relação indivíduo-ambiente, sujeito responsável, dimensões incorporadas, finalidade, instituições difusoras, formas de avaliação e críticas.
RESULTADOS: A análise permitiu propor sete períodos: antecedentes; formulação da saúde positiva; movimento wellness e multidimensionalização; promoção da saúde e crítica do healthism; cientificação e inserção organizacional; mercantilização; e digitalização. O conceito ampliou a saúde para além da ausência de doença e valorizou o potencial, a autonomia e a integração, mas também favoreceu a responsabilização individual, a moralização dos estilos de vida, a transformação do cuidado em consumo e a quantificação permanente da experiência.
CONCLUSÕES: A trajetória do wellness não constitui uma evolução linear, mas sim uma acumulação contraditória de sentidos. Para contribuir efetivamente para a qualidade de vida, o conceito deve ser compreendido de forma relacional, articulando práticas pessoais, vínculos sociais, ambientes, instituições, políticas públicas e condições materiais.
Palavras-chave
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PDFDOI: 10.3895/rbqv.v18n0.22310
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