‘Tira esse sorrisinho do rosto’: a construção discursiva da Nova Sinceridade na revista Esquire
Resumo
Este artigo busca compreender como a Nova Sinceridade foi construída discursivamente em “Wipe That Smirk off Your Face”, texto publicado pela revista Esquire em setembro de 1991, no qual a expressão ganha grande visibilidade pública e é apresentada enquanto categoria da cultura. Traçamos um percurso do termo, da cena musical de Austin, no Texas, à reavaliação de sua associação à obra de David Foster Wallace. Em seguida, analisamos como o artigo organiza a mudança cultural em quadros comparativos que produzem arquétipos de “Velha” e “Nova” Sinceridade, associando a primeira à ironia dos anos 1980. A hipótese que orienta a leitura é a de que, no texto, a Nova Sinceridade é descrita como uma recusa de qualquer ironia e nuance, sendo vista com desconfiança pelos autores. Defendemos, no entanto, que ela é mais produtiva quando entendida como recusa de um tipo específico de ironia, que chamamos de ironia cínica. Para pensar esses conceitos, recorremos à definição de sinceridade de Lionel Trilling e à concepção de ironia de Victor Heringer, inspirada nas formulações de Friedrich Schlegel sobre a ironia romântica no final do século XVIII. Em vez de uma dicotomia, sugerimos pensar as duas como forças de fricção.
Palavras-chave
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PDFDOI: 10.3895/rde.v17n29.22636
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