A mediatização da reestruturação do SEF: uma análise da cobertura do jornal Público à luz da comunicação de crise

Nuno Lima Ferreira, Felisbela Lopes, José Gabriel Andrade

Resumo


No dia 12 de março de 2020, Ihor Homenyuk morreu na sequência de agressões praticadas por três inspetores do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF), desencadeando uma crise que antecedeu o anúncio da sua reestruturação. Este estudo procura identificar os atores a quem o jornal Público deu voz, o seu posicionamento perante a reestruturação e as respostas de crise. O corpus integra 85 notícias publicadas entre 12 de março de 2020 e 15 de janeiro de 2021. A análise combinou uma grelha categorial quantitativa sobre as fontes de informação com duas grelhas de análise documental qualitativa, relativas ao posicionamento dos atores e às intervenções previstas na Teoria Situacional da Comunicação de Crise. Os resultados revelam o predomínio das fontes oficiais e institucionais, a concentração da cobertura em dezembro e uma aceitação generalizada da necessidade de mudança, embora com divergências quanto ao modelo a adotar. Foram ainda identificadas respostas de negação, diminuição, reconstrução e reforço, sem que se evidencie uma estratégia comunicacional coerente e sistemática. O estudo contribui para compreender a relação entre mediatização, fontes jornalísticas e comunicação de crise em organizações policiais.


Palavras-chave


Comunicação de crise; comunicação organizacional; fontes jornalísticas; polícia

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DOI: 10.3895/rde.v17n29.22493

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