Arbitrariedades do patriarcado: o apagamento da mulher pelo genérico masculino

Ana Luiza Cordeiro, Nanci Stancki da Luz

Resumo


Considerar as bases patriarcais que sustentam a sociedade exige olhar para os usos da língua e pensá-la não como um fato dado, neutro e arbitrário. Assim, este artigo propõe um debate sobre o sexismo gramatical, sobretudo em relação ao uso do masculino genérico no português brasileiro. Nesse sentido, são coletados enunciados de vagas de emprego em áreas de Pedagogia e Tecnologia da Informação, buscando identificar quais efeitos de sentido resultam das organizações e escolhas gramaticais presentes, recorrendo à Análise de Discurso com base em Norman Fairclough (2003; 2019). Embora haja linhas linguísticas que defendam uma neutralidade do genérico masculino, como apenas uma escolha arbitrária e que nada tem a ver com os gêneros humanos, essa escolha não se desvincula do histórico social que violenta, apaga e oprime as mulheres. O não uso de uma linguagem inclusiva reforça violências e desconsidera que a Língua Portuguesa oferece recursos para evitar o sexismo gramatical.

 


Palavras-chave


Patriarcado. Análise do discurso. Sexismo gramatical. Masculino genérico.

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DOI: 10.3895/cgt.v16n47.16185

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