Chamada para seção temática aberta

Debates sobre diversidade sexual, de gênero e as discussões importantes trazidas pelos estudos étnico/raciais, tornaram-se uma questão central em diversas abordagens teórico/metodológicas, propondo não somente outros modos de pensar epistemologias, mas também combater ignorâncias sistêmicas presentes em diferentes espaços de produção/fermentação de saberes: laboratórios, centros de pesquisa, salas de aula, espaços de tomada de decisões nas universidades, reuniões de coletivos/movimentos sociais.

Pesquisas sobre pessoas lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais, transgêneras, intersexo e de outras identidades de gênero e orientações sexuais (LGBTI+), em suas interfaces com estudos feministas, sobre pessoas com deficiências e os estudos étnico-raciais, têm se fortalecido cada vez mais no Brasil, o que é possível notar nas produções dos mais diversos programas de graduação e pós-graduação.

Esta chamada de artigos pretende colaborar no fortalecimento desta rede de pesquisadoras e pesquisadores, acolhendo artigos, ensaios, resenhas, entrevistas e relatos de experiência que tratem sobre diversidades sexual e de gênero em sua relação com a tecnologia; assim como as discussões étnico/raciais: xenofobias, racismos, interseccionalidades, que problematizam a tecnologia. Autoras e autores, que são referências contemporâneas, já abordam esta relação (para citar alguns): Michel Foucault, Achille Mbembe, Londa Schiebinger, Tereza De Lauretis, Tania Pérez-Bustos, Judith Butler, Mara Viveros Vigoya, Paul Beatriz Preciado, e seus estudos, nos fazem pensar sobre a constituição das pessoas em sua relação com as tecnologias de si (Foucault) e/ou as tecnologias de gênero (De Lauretis).

Neste sentido, serão aceitos trabalhos que problematizam os modos de se pensar e fazer ciência, de se discutir tecnologias que não estão a serviço de necropolíticas à grupos sociais sistematicamente estigmatizados, conforme apontam os estudos recentes de Achille Mbembe, ao propor um outro olhar sobre o conceito focaultiano de biopoder em territórios periféricos do capitalismo moderno (as chamadas neocolônias) e; que historicizem e contemporizem as questões emergentes sobre diversidade sexual/de gênero e estudos étnico/raciais em sua relação com a tecnologia, especialmente, mas não de modo restritivo, a tecnologia em sua abordagem pelos Estudos de Ciência, Tecnologia e Sociedade (CTS).

Serão bem-vindos trabalhos que abordem o escopo da revista "gênero e tecnologia", entrelaçado com: a noção de cuidado de si/tecnologia de si; interseccionalidades, feminismos, racismos e tecnologia; dispositivos de sexualidade e poder; tecnologias políticas e grupos sociais estigmatizados; tecnologia e LGBTIfobia; tecnologia e subjetividades, comunicação/mídias, linguagem, conhecimento, ciência; próteses de gênero; epistemologias, tecnologia e o bem-viver; e quaisquer trabalhos que tragam como questão/reflexão esta relação entre tecnologia, diversidade sexual/de gênero e os estudos étnico/raciais.


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